Aula apresentada em forma de slides. Transformei o texto, dado que as figuras da apresentação são apenas ilustrativas. Esse texto poderá ser usado com mais facilidade para revisões.
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As idéias psicológicas na Antiguidade – Sócrates Platão e
Aristóteles
História da Psicologia
Julio Cesar Cruz Collares-da-Rocha
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Introdução
Os filósofos chamados “pré-socráticos” foram importantes
para a filosofia dos pensadores que os sucederam e que gozaram de grande
influência e divulgação no mundo ocidental: Sócrates, Platão e Aristóteles.
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Sócrates (469 – 399 A.C.)
Natural de Atenas, Grécia. É um dos filósofos mais afamados
da Antiguidade. Dedicou-se à educação dos jovens, pois acreditava na educação
moral do homem.
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Sócrates (469 – 399 A.C.)
Foi condenado à morte por envenenamento (cicuta), por
julgarem que ele estaria corrompendo a juventude ateniense.
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Sócrates (469 – 399 A.C.)
Não deixou obra escrita. Sua filosofia é conhecida a partir
dos seus discípulos, especialmente Platão (Defesa de Sócrates e os
diálogos O banquete, por exemplo) e Xenofonte (Ditos e feitos
memoráveis de Sócrates e Apologia de Sócrates), e por seus
adversários, destacando-se Aristófanes (As nuvens – em forma de
diálogo).
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Sócrates (469 – 399 A.C.)
Foi erroneamente considerado como fazendo parte do grupo dos
sofistas, visto que compartilhava com estes uma nova visão: a passagem do
interesse cosmológico predominante nos filósofos pré-socráticos para o
interesse antropológico – o estudo do homem.
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Sócrates (469 – 399 A.C.)
\ Os sofistas se compunham de grupos de pensadores que
viajavam de cidade em cidade realizando discursos públicos para atrair
estudantes, de quem cobravam taxas para oferecer-lhes educação.
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Sócrates (469 – 399 A.C.)
O lema de Sócrates “Conhece-te a ti mesmo” parece estar na
base de algumas abordagens psicoterápicas, como por exemplo a Psicanálise,
visto que Freud indicava na primeira tópica que o objetivo da análise era
tornar consciente o que estava inconsciente.
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Sócrates (469 – 399 A.C.)
Percebemos a influência da máxima socrática também em
algumas abordagens humanistas, como a psicoterapia centrada na pessoa de Carl
Rogers, a psicoterapia existencial de Rollo May e a Logoterapia de Viktor
Frankl.
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Sócrates (469 – 399 A.C.)
Acreditava que tínhamos um conhecimento imperfeito da
realidade, visto que conhecíamos a realidade pelos sentidos, lançando dúvida
acerca de concepções fechadas sobre a realidade. Para ele, “jamais podemos
estar seguros de que realmente conhecemos alguma coisa” (WERTHEIMER, 1972, p.
20).
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Sócrates (469 – 399 A.C.)
Seu método para testar o conhecimento da realidade era a
maiêutica (homenagem à mãe, que era parteira), que objetivava “realizar o
serviço de parteira para trazer à luz os princípios morais inatos na razão
prática” (ROSENFELD, 1984, p. 16). “Sei que nada sei” era seu mote para afirmar
a própria ignorância e busca.
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Sócrates (469 – 399 A.C.)
“Embora filósofo moral e não psicólogo, contribuiu
marginalmente uma espécie de psicologia da vida moral, através da análise do
impulso humano à felicidade e ao bem, o estudo das relações entre razão e as
paixões, e a indagação acerca das motivações humanas” (ROSENFELD, 1984, p. 16).
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Platão (427 a 347 A.C.)
Nascido em Atenas, Grécia. Foi o mais famoso discípulo de
Sócrates e seu principal intérprete. Fez um discurso inflamado e apaixonado em
defesa de Sócrates quando da condenação à morte por envenenamento.
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Platão (427 a 347 A.C.)
Sobreviveram cerca de 150 obras dele, entre fragmentos e
textos, destacando-se: Sobre a natureza do homem, Apologia de
Sócrates, O banquete, A república, Górgias.
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Platão (427 a 347 A.C.)
Platão continua a tradição de Sócrates em considerar que o
nosso conhecimento da realidade é imperfeito e que os sentidos nos enganam.
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Platão (427 a 347 A.C.)
A perfeição do cosmos era representada pelo mundo das
ideias; e a imperfeição era o mundo objetivo: uma imagem distorcida do que
contém o mundo das ideias.
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Platão (427 a 347 A.C.)
Ele considera que a alma antes de encarnar teve acesso e
contemplou todo o mundo das ideias, mas a encarnação – a união da alma ao corpo
(dualismo) – apagou as memórias dessa contemplação, pois o corpo seria um
obstáculo para o conhecimento.
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Platão (427 a 347 A.C.)
Estabelecendo a divisão entre mundo das ideias e mundo
objetivo, Platão indica a intimidade da alma com o primeiro e a relação do
corpo com o segundo. A união da alma com o corpo produz um esquecimento, logo,
conhecer, para o filósofo, não significa aprender o que está fora, mas lembrar
o que está dentro (da alma).
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Platão (427 a 347 A.C.)
Se o aprendizado em Platão diz respeito à lembrança do que
está dentro da alma, qual seria o papel dos objetos exteriores percebidos pelos
sentidos? Para Platão, os objetos exteriores emitem cópias embaçadas de si
mesmos (eidolas), que penetram nos órgãos sensoriais.
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Platão (427 a 347 A.C.)
O mito da caverna de Platão, encontrado na obra A
República, ajuda a compreender a relação entre o mundo das ideias e o mundo
objetivo.
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Platão (427 a 347 A.C.)
O conhecimento das ideias seria obtido mediante a
contemplação (noesis), acessível apenas à alma (cuja parte mais
importante seria a razão, o nous).
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Platão (427 a 347 A.C.)
Nesse sentido, Platão distingue a evocação, que seria a
memória das experiências da sensibilidade (aisthesis), da memória da
contemplação das ideias, que é referida como reminiscência.
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Platão (427 a 347 A.C.)
Durante a vida, experimentaríamos essas duas formas de
memória, mas a reminiscência não ocorre com a mesma presteza que a evocação.
Daí o recurso à dialética, entendida como forma de discussão que propiciaria a
reminiscência.
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Platão (427 a 347 A.C.)
A validade dos conteúdos da reminiscência seria superior aos
da evocação, pois esta última estaria relacionada a opiniões (doxai), ao
passo que a reminiscência seria a memória do invariante (episteme).
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Platão (427 a 347 A.C.)
A doutrina platônica da alma, entendida como substância
constituída de três partes (nous – razão, localizada na cabeça; thymós
– bravura / vontade, localizada no coração; e epithymetikon – apetites
inferiores, localizado na barriga), distintas, porém interligadas, é
complementada por sua concepção social descrita na República, um de seus
principais diálogos.
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Platão (427 a 347 A.C.)
“Ensinava Platão que os homens beneficiam-se profundamente
uns dos outros; que, como disse John Donne dois milênios mais tarde, homem
algum é uma ilha dentro de si mesmo. O homem é um ser social, bastante
influenciado pelos que estão à sua volta” (WERTHEIMER, 1973, p. 21).
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Platão (427 a 347 A.C.)
Essa ideia de influência do meio (ambientalismo)
surge em Demócrito, perpassa toda a filosofia moderna e tem seu auge nas
formulações comportamentais de John B. Watson e Skinner.
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Platão (427 a 347 A.C.)
A ideia de benefício uns dos outros aparece no conceito de
Zona de Desenvolvimento Proximal de Vigotski, que considerava que o
aprendizado/desenvolvimento seria propiciado pelo contato de uma criança/pessoa
mais capacitada com uma criança/pessoa menos capacitada, que, numa relação de
apoio, ajudaria no desenvolvimento um do outro.
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Platão (427 a 347 A.C.)
A questão do dualismo alma-corpo alimentou discussões sobre
a diferença entre mente e corpo durante todo o século 20 e até hoje.
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Aristóteles (384 – 322 A.C.)
Nascido em Estagira, na Macedônia, foi discípulo e opositor
de Platão, visto que aprendeu por vinte anos com ele, mas produziu um
conhecimento novo. O zeitgeist (espírito do tempo) da Atenas da época
era propício para o desenvolvimento da Filosofia e também para o florescimento
de novas ideias filosóficas.
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Aristóteles (384 – 322 A.C.)
Ele também foi mestre de Alexandre, o Grande, soberano que
levou ao começo da decadência da civilização grega. Quando Atenas foi invadida,
ele fugiu de barco, temeroso pela própria vida, e, olhando para trás,
sentenciou: “Não podem matar a Filosofia!”, que seria ele mesmo.
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Aristóteles (384 – 322 A.C.)
Foi considerado por diversos autores como um dos primeiros
cientistas, fundando o pensamento científico. Se interessou por temáticas como:
sonhos, aprendizagem, pensamento, envelhecimento e relação entre o homem e a
sociedade. Alguns historiadores da Psicologia o consideram como o primeiro
psicólogo.
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Aristóteles (384 – 322 A.C.)
A solução de Aristóteles para o problema alma – corpo é a
concepção do hilemorfismo. Esta palavra significa a unidade substancial entre
matéria (hylé) e forma (morphé). Nesse sentido, há uma vinculação
estreita e completa entre o corpo e a alma, sendo esta entendida como princípio
vital existente em qualquer corpo animado, até mesmo em vegetais.
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Aristóteles (384 – 322 A.C.)
Assim, a alma estaria presente em todos os organismos, não
importando sua espécie ou gênero. Segundo Aristóteles, haveria três tipos de
alma: a vegetal; a animal; e a humana.
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Aristóteles (384 – 322 A.C.)
O principal atributo da alma vegetal é a nutrição; a animal,
além da nutrição, seria sensível; e a humana, além dos atributos anteriores,
seria inteligente.
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Aristóteles (384 – 322 A.C.)
No De Anima, Aristóteles distingue a inteligência
passiva da inteligência ativa: a primeira seria meramente receptora de
impressões sensoriais, cabendo à inteligência ativa a função abstrativa.
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Aristóteles (384 – 322 A.C.)
Aristóteles mantém a diferença proposta por Platão entre
sensação e pensamento, porém sem admitir o inatismo das Ideias. Sobre a
imortalidade da alma humana, os argumentos de Aristóteles não são conclusivos.
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Aristóteles (384 – 322 A.C.)
Ele considera o ser humano como zoón politikón
(animal político), e a tese da katharsis, que quer dizer a purificação
da transformação de paixões negativas em sentimentos positivos. O termo catarse
foi tomado por Freud para explicar o processo de produção de alívio psíquico
pela fala.
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Aristóteles (384 – 322 A.C.)
Indicava também que todo o conhecimento provém da natureza.
Para ele, ao nascer, a mente é uma tábula rasa (placa de cera intacta) e a
experiência é escrita sobre essa placa. Ideia elaborada mais tarde por John
Locke e seguida por John B. Watson com o Behaviorismo.
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A influência dos filósofos pensadores no Cristianismo
As ideias de Platão e Aristóteles foram retomadas e revistas
pelos chamados “Doutores da Igreja”, como São Tomás de Aquino e Santo
Agostinho. Em especial, São Tomás de Aquino tentou reconciliar a filosofia
aristotélica com os dogmas religiosos.
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Referências
RIBEIRO, I. Raízes da Psicologia. 15ª ed. Petrópolis:
Vozes, 2014.
ROSENFELD, A. O pensamento psicológico. São Paulo:
Perspectiva, 1984.
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Referências
WERTHEIMER, M. Pequena história da Psicologia. São
Paulo: Companhia Editora Nacional, 1972.
CIVITA, V. (Ed.). Os Pensadores. Vol. 2, 3 e 4. São
Paulo: Abril Cultural, 1973.

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