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Desenvolvimento pré-natal.

 Aqui se encontram as informações dos slides das aulas do Prof. José Augusto, especificamente sobre o desenvolvimento pré-natal. Não copiei os slides, porque o que conta é o texto que está neles (as imagens são meramente estéticas, sem informações relevantes).

Slide  (O INÍCIO DO DESENVOLVIMENTO)

O DESENVOLVIMENTO COMEÇA NA CONCEPÇÃO.

  • Na concepção, portanto, o zigoto unicelular possui toda a informação biológica necessária para guiar seu desenvolvimento até se tornar um indivíduo único.
  • A ação genética que dispara o crescimento do corpo e do cérebro geralmente é regulada por níveis hormonais – tanto na mãe quanto no bebê em desenvolvimento –, que são afetados por condições ambientais como nutrição e estresse. Assim, desde o início, a hereditariedade e o ambiente estão inter-relacionados.
  • Três etapas: germinal (duas primeiras semanas), embrionário (da segunda à oitava semana) e fetal (oitava semana até o nascimento).

Slide  (DESENVOLVIMENTO PRÉ-NATAL)

  • Período embrionário: desenvolvimento rápido dos órgãos e principais sistemas do corpo.
  • Início do desenvolvimento do cérebro.
    • Período muito sensível no desenvolvimento.
  • Período fetal: a partir da oitava semana.
  • "Fetos não são passageiros passivos no útero da mãe".
  • Respondem ao toque e à pressão, mas aparentemente começam a sentir dor a partir do terceiro trimestre.
  • Células gustativas aparecem por volta da 14ª semana de gestação (comer brócolis!!).
  • O feto responde à voz, as batidas cardíacas e as vibrações do corpo da mãe, o que sugere que pode ouvir e sentir.
  • Respostas ao som e à vibração parecem começar na 26ª semana de gestação, aumentam e depois estabilizam-se na 32ª semana.

Slide  (DESENVOLVIMENTO PRÉ-NATAL)

  • A partir da 33ª semana os fetos prestam atenção à música e se dirigem a ela.
  • Artigo: "Neuroprocessing mechanisms of music during fetal and neonatal development: a role in neuroplasticity and neurodevelopment" (Neural Plasticity, Volume 2019, Article ID 3972918, 9 pages, Chorna et al.) Link: https://doi.org/10.1155/2019/3972918
  • O cérebro humano é dotado de habilidades musicais inatas e moldado pela experiência musical, começando no útero e continuando ao longo da vida.
  • O processamento neural humano da música envolve uma rede bilateral extremamente complexa e disseminada de neurônios corticais e áreas subcorticais, integrando diversas funções auditivas, cognitivas, sensório-motoras e emocionais.



Slide OS AMPLOS EFEITOS DA MÚSICA NA FUNÇÃO CEREBRAL, abrangendo a percepção auditiva, o processamento da linguagem, a atenção e a memória, a emoção e o humor, e as habilidades motoras.

  • Respostas ao som no útero a partir de cerca de 25 semanas de gestação.
  • Vários experimentos comportamentais parecem apoiar a capacidade dos recém-nascidos de processar música por si. Recém-natos se acostumam a canções de ninar consoantes cantadas ao vivo, incluindo a sincronização de sua sucção, protrusões da boca e movimento da língua, respiração e vocalizações que combinam com os contornos da música.
  • Recém-nascidos expostos à música durante o período pré-natal demonstram resposta fisiológica à música, incluindo padrões básicos de ritmo e tom.
  • A exposição pré-natal à música tem um efeito na resposta neural aos sons vários meses depois, apoiando um efeito sustentado da memória fetal durante a primeira infância.

Slide RELAÇÃO MÚSICA-SONO TRANQUILO (BRAHMS’ LULLABY)

  • Características essenciais das músicas: andamento lento e repetições frequentes, com poucas mudanças dinâmicas, com uma amplitude de tom limitada e um alto grau de continuidade.
  • A música é uma ferramenta de estimulação multissensorial.
  • A música induz atividade nas estruturas límbicas e paralímbicas (amígdala, hipocampo, córtex orbitofrontal) que são regiões implicadas na regulação e geração de emoção.
  • Além do enriquecimento das habilidades auditivas, por meio da organização das regiões auditivas primárias e secundárias do cérebro, as experiências precoces com música e canto podem ser também uma forma de sensibilizar os recém-nascidos para a dinâmica das interações sociais.

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Effects of the intrauterine environment on childhood growth
Richard S Strauss
British Medical Bulletin, Volume 53, Issue 1, January 1997, Pages 81–95
https://doi.org/10.1093/oxfordjournals.bmb.a011608
Published: 01 January 1997

  • O ambiente intrauterino desempenha um papel crítico no crescimento infantil. Os bebês expostos à desnutrição aguda no início da gravidez têm maior probabilidade de se tornarem obesos mais tarde na vida. Da mesma forma, as crianças expostas à hiperglicemia no útero também têm maior probabilidade de desenvolver intolerância à insulina e obesidade durante a infância. Os mecanismos subjacentes a essas mudanças não são compreendidos. No entanto, experiências em animais sugerem que a sobrenutrição ou subnutrição grave durante a gravidez pode afetar o desenvolvimento hipotalâmico.
  • Os efeitos do tabagismo no crescimento infantil podem ser melhor explicados pelo risco aumentado de retardo de crescimento intrauterino. Em contraste, a ingestão de álcool durante a gravidez leva a uma diminuição sindrômica no perímetro cefálico, na altura e no peso da infância. Os efeitos da cocaína são provavelmente multifatoriais, uma vez que a ingestão de cocaína tende a variar com o consumo de tabaco, consumo de álcool, consumo de opiáceos e baixo nível socioeconômico.
  • Os efeitos mais marcantes do ambiente intrauterino no crescimento infantil são observados em crianças com retardo de crescimento intrauterino. Essas crianças permanecem significativamente mais leves e mais baixas do que os seus pares. Os esforços para reverter o atraso do crescimento intrauterino têm sido decepcionantes e, por vezes, arriscados. No entanto, a suplementação calórica em populações subnutridas pode trazer benefícios significativos. O uso do hormônio do crescimento promete reduzir alguns dos déficits de altura em crianças com retardo de crescimento intrauterino. Contudo, até o momento não há evidências que sugiram alterações na altura final em crianças com retardo de crescimento intrauterino que recebem hormônio do crescimento.
  • Síndrome de abstinência neonatal (principalmente quando o uso de opióides – morfina/fentanil).

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Impact of maternal psychological distress on fetal weight, prematurity and intrauterine growth retardation (2008)
Giuseppe Maina A, Paola Saracco A, Maria Rosa Giolito B, Daniele Danelon C, Filippo Bogetto A, Tullia Todros C

  • Três grupos mutuamente exclusivos e homogêneos de gestantes (com transtorno psiquiátrico atual, com sofrimento psicológico materno e comparações saudáveis) foram submetidos a exames de ultrassonografia fetal, dopplervelocimetria das artérias uterinas e umbilicais. O peso infantil foi medido e informações coletadas sobre características obstétricas e fatores sociodemográficos.
  • 178 mulheres sem uso de medicação.
  • Principalmente quadros de depressão e transtorno de ansiedade.
  • Mulheres com diagnóstico de transtorno de ansiedade e/ou depressão tiveram filhos com cerca de 350g abaixo das mulheres saudáveis.
  • OBS: Acompanhamento dentro de clínicas pré-natais.

Observações sobre o livro "Desenvolvimento humano", capítulo do desenvolvimento pré-natal.



1. Princípios de Desenvolvimento Motor

Tanto antes quanto depois do nascimento, o desenvolvimento procede de acordo com dois princípios fundamentais: crescimento e desenvolvimento motor ocorrem de cima para baixo e do centro para a periferia do corpo. O princípio cefalocaudal (da cabeça à cauda) determina que o desenvolvimento avança da cabeça para a parte inferior do tronco. A cabeça, o cérebro e os olhos do embrião se desenvolvem primeiro e são desproporcionalmente maiores até o restante alcançá-los. Segundo o princípio próximo-distal (de dentro para fora), o desenvolvimento ocorre das partes próximas ao centro do corpo para as extremidades. A cabeça e o tronco do embrião desenvolvem-se antes dos membros, e os braços e pernas, antes dos dedos das mãos e dos pés.


2. Período Embrionário (da Segunda à Oitava Semana)

Durante o período embrionário, entre a 2ª e a 8ª semana, os órgãos e os principais sistemas do corpo – respiratório, digestivo e nervoso – desenvolvem-se rapidamente. Esse processo é conhecido por organogênese. Esse é um período crítico, quando o embrião encontra-se muito vulnerável às influências destrutivas do ambiente pré-natal. É muito provável que qualquer sistema de órgãos ou estrutura que ainda esteja se desenvolvendo no período da exposição seja afetado. Por causa disso, alterações que ocorrem mais tarde na gravidez provavelmente serão de menor gravidade quando os principais sistemas de órgãos e estruturas físicas do corpo estiverem completos. O crescimento e desenvolvimento do cérebro começam durante o período embrionário e continuam após o nascimento.


3. Período Fetal (da Oitava Semana até o Nascimento)

O aparecimento das primeiras células ósseas em torno da oitava semana sinaliza o começo do período fetal, a fase final da gestação. Durante esse período, o feto cresce rapidamente até cerca de 20 vezes seu comprimento anterior, e os órgãos e sistemas do corpo tornam-se mais complexos. Até o nascimento, continuam a se desenvolver os "últimos retoques", tais como as unhas dos dedos das mãos e dos pés e as pálpebras.


4. Fetos Não São Passageiros Passivos no Útero

Fetos não são passageiros passivos no útero das mães. Eles respiram, chutam, viram-se, flexionam o corpo, dão cambalhotas, movimentam os olhos, engolem, cerram os punhos, soluçam e sugam os polegares. As membranas flexíveis das paredes uterinas e do saco amniótico, as quais envolvem o anteparo protetor de líquido amniótico, permitem e estimulam movimentos limitados. Os fetos podem responder ao toque e à pressão, mas é altamente improvável que sintam dor antes do terceiro trimestre, pois muitas estruturas relevantes, especialmente o córtex cerebral (onde acredita-se que resida a consciência) ainda estão imaturos. Por exemplo, os caminhos talamocorticais responsáveis pela percepção da dor não parecem estar funcionais até a 29ª ou 30ª semana de gestação. Além disso, as expressões faciais de dor estão quase ausentes na 24ª semana de gestação (5% dos eventos faciais), mas ocorrem com maior frequência (21,2% dos eventos faciais) na 36ª semana.


5. Diferenças nos Movimentos e Atividade Fetal

Os movimentos e o nível de atividade dos fetos mostram diferenças individuais bem marcantes e seus ritmos cardíacos variam em regularidade e velocidade. Os fetos masculinos, independentemente de tamanho, são mais ativos e tendem a se movimentar com mais vigor do que os fetos femininos ao longo da gestação. Assim, a tendência de meninos serem mais ativos que meninas pode ser, pelo menos em parte, inata.


6. Resposta dos Fetos à Música e à Voz dos Pais

Aproximadamente a partir da 33ª semana de gestação, os fetos prestam atenção à música e se orientam a ela. Algumas pesquisas sugerem que fetos próximos ao nascimento expostos à música ou à fala mostram variações de ritmo cardíaco consistentes com maior atenção concentrada e maior processamento para música do que para fala. Após o nascimento, os neonatos preferem vozes femininas às masculinas e a língua nativa da mãe a outros idiomas. Esses experimentos foram realizados utilizando uma chupeta acoplada a um equipamento sonoro. Percebeu-se que os bebês mudam o padrão de sucção conforme o tipo de áudio que é apresentado. Bebês famintos, não importa em que lado estejam sendo segurados, voltam-se para o peito na direção de onde ouviram a voz da mãe, possivelmente como forma de localizar a fonte do alimento.


7. Memória e Aprendizado dos Fetos

Os fetos aprendem e lembram à medida que se aproximam do fim da gravidez. Os dados de ritmo cardíaco indicam que alguns têm a capacidade de lembrar de materiais auditivos por breves períodos. Estimativas atuais sugerem que a memória fetal começa a funcionar aproximadamente na 30ª semana gestacional, quando os fetos são capazes de reter informação na memória por 10 minutos. Na 34ª semana, conseguem se lembrar de informações por um período de um mês. Além disso, não apenas lembram e reconhecem vozes, mas também possuem algumas habilidades para reproduzi-las. Em um estudo, bebês recém-nascidos usaram distintamente diferentes padrões de entonação em seus choros que refletiam aspectos da língua nativa da mãe.


8. Teratógenos

Teratógeno é um agente ambiental, como, por exemplo, vírus, drogas ou radiações, que pode interferir com o desenvolvimento pré-natal normal. Nem todos os riscos ambientais, porém, são igualmente nocivos a todos os fetos. Um evento, substância ou processo pode ser teratogênico para alguns fetos, mas ter pouco ou nenhum efeito para outros. Às vezes, a vulnerabilidade pode depender de um gene, seja no feto ou na mãe. Por exemplo, fetos com determinada variante de um gene de crescimento, chamado de fator de crescimento transformador α, apresentam risco maior de que outros fetos de desenvolver uma fenda palatina se a mãe fumar durante a gravidez. O tempo de exposição, a dose, a duração e a interação com outros fatores teratogênicos também podem fazer diferença.


9. Opioides e o Impacto no Desenvolvimento Fetal

Nos últimos anos, aumentou o número de mulheres grávidas que abusam de opioides legais e ilegais. O uso de opioides não foi relacionado a defeitos congênitos, mas está ligado ao nascimento de bebês pequenos, morte fetal, parto prematuro e aspiração de mecônio. Além disso, bebês de mulheres dependentes químicas muitas vezes nascem eles próprios dependentes e sofrem de abstinência após o parto, quando param de receber a substância. O resultado é a síndrome de abstinência neonatal, condição na qual recém-nascidos podem sofrer de perturbações do sono, tremores, dificuldade de regular seus corpos, irritabilidade e choro, diarreia, febre e dificuldades para se alimentar. Na última década, a prevalência desse transtorno quintuplicou. Os efeitos de longo prazo incluem déficits de crescimento e problemas de atenção, memória e percepção. Contudo, os estudos sobre os desfechos cognitivos são contraditórios, e os resultados podem ser explicados por outras variáveis, como nível socioeconômico ou uso de outras drogas. Medidas punitivas, como criminalizar e prender mulheres grávidas que usam drogas, se mostraram ineficazes. O problema levou a recomendações de que a crise dos opioides entre mulheres grávidas seja tratada como um problema de saúde pública, não de polícia.


10. Álcool e Síndrome Alcoólica Fetal (SAF)

A exposição ao álcool no período pré-natal é a causa mais comum de deficiência intelectual e a principal causa evitável de defeitos do nascimento nos Estados Unidos. A síndrome alcoólica fetal (SAF) é caracterizada por uma combinação de retardo no crescimento, malformações da face e do corpo e distúrbios do sistema nervoso central.

Mesmo o consumo social moderado de bebida alcoólica pode prejudicar o feto, e quanto mais a mãe bebe, maior é o efeito. 


11. Problemas Relacionados à SAF

Os problemas relacionados à SAF podem incluir, na primeira infância, reduzida capacidade de resposta a estímulos, tempo de reação lento e diminuição da acuidade visual (nitidez da visão), e, durante toda a infância, déficit de atenção, distração, agitação, hiperatividade, transtornos da aprendizagem, déficit de memória e transtornos de humor. A exposição pré-natal ao álcool é um fator de risco para o desenvolvimento de problemas de alcoolismo e transtornos por uso de álcool no adulto jovem.

Alguns problemas relacionados à SAF desaparecem após o nascimento; outros, como a deficiência intelectual, problemas comportamentais e de aprendizagem e a hiperatividade tendem a persistir. Enriquecer a educação ou o ambiente geral dessas crianças não contribui significativamente para seu desenvolvimento cognitivo. As intervenções recentes direcionadas às habilidades cognitivas de crianças com SAF parecem promissoras. Crianças com SAF podem ter menor probabilidade de desenvolver problemas comportamentais e de saúde mental se forem diagnosticadas logo no início e forem criadas em ambientes estáveis, onde elas recebam os cuidados necessários.


12. Nicotina e Tabagismo Materno

O tabagismo materno durante a gravidez tem sido identificado como o fator mais importante para o nascimento de bebês com baixo peso em países desenvolvidos. Mulheres norte-americanas que fumam durante a gravidez estão uma vez e meia mais propensas a ter bebês de baixo peso (pesando menos de 2,5 quilos) do que as não fumantes. Mesmo o tabagismo moderado (menos de cinco cigarros por dia) está associado a um maior risco de baixo peso ao nascer, mas o efeito depende da dosagem. Mães que fumam mais de 20 cigarros por dia têm os menores bebês.


13. Cafeína e Seus Efeitos na Gravidez

A cafeína que a gestante ingere no café, no chá, nos refrigerantes à base de cola ou no chocolate pode causar problemas para o feto? Diversas análises em larga escala indicam que o consumo de cafeína de menos de 300 miligramas por dia não está associado a maiores riscos de aborto espontâneo, parto de natimorto ou defeitos congênitos. Contudo, outras análises identificaram aumentos ligeiramente maiores de aborto espontâneo, parto de natimorto e baixo peso ao nascer em mães que consomem cafeína durante a gestação, e há sugestões de que o risco pode aumentar com a dosagem. Assim, as recomendações atuais ainda são de limitar a cafeína a 200 miligramas ou menos (cerca de uma xícara de café).



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