Anotações a partir do video sugerido pelo professor.
A característica principal dos filósofos pré-socráticos (VII a V a.C, alguns foram contemporâneos a Sócrates) é que suas reflexões eram voltadas à natureza, enquanto a de Sócrates ao ser humano.
Foram os primeiros a não se valer de explicação mitológica para a natureza, mas utilizar a razão. O "logos" analisa a "physis" e identifica padrões ("cosmos"). Daí buscavam a "arché", a substância primordial do universo, que teria dado origem a tudo. Essa explicação racional do universo é a chamada "cosmologia" (enquanto a explicação baseada nos mitos é chamada de "cosmogonia").
[ChatGPT: A definição de "cosmologia" está correta, mas vale esclarecer que a cosmogonia não é necessariamente mitológica. A cosmogonia é o estudo das origens do universo, e pode ser baseada em mitos ou em teorias racionais (como as dos próprios pré-socráticos). Ou seja, enquanto a cosmologia abrange o estudo do universo de forma geral, a cosmogonia se concentra mais nas teorias de sua origem.]
Há dificuldade para entender o pensamento dos pré-socráticos porque muitos não deixaram nada escrito, e os escritos de outros se perderam. Muito do que sabemos deles vêm de fragmentos e citações feitas por outros filósofos posteriores.
Os principais foram: Tales de Mileto, considerado por Aristóteles como sendo o 1o filósofo, por ter dado origem à utilização da razão para explicar o universo, sua origem e tudo o que nele existe. Para ele, a umidade era a arché, por ser necessária à vida e se apresentar nos estados sólido, líquido ou gasoso, nos quais todos os seres da natureza estão inseridos. Deu origem ao monismo, doutrina que considera que há um princípio fundamental único para reger o mundo.
[ChatGPT: É a água que, para ele, estava presente em todas as coisas e necessária à vida.]
Anaximandro, discípulo de Tales. Arché seria algo fora do alcance dos sentidos, por isso a chamava de ápeiron, ou seja, o indeterminado, ilimitado e infinito. Nem é material e nem é qualidade, podendo ser apreensível apenas pelo pensamento.
Anaxímenes, discípulo de Anaximandro. Tentou fazer uma síntese entre os pensamentos de Tales e Anaximandro, encontrando, assim, no ar o seu conceito de arché (porque não é palpável nem abstrato, é infinito, ilimitado).
Pitágoras. Para ele, a arché eram os números, pois a natureza é feita por relações e proporções matemáticas. Tudo o que existe pode ser quantificado, contabilizado, traduzido em números. Portanto, os números, ou seja, as proporções harmoniosas entre as coisas, é que regiam o universo.
Heráclito. Para ele, o universo muda e se transforma a cada instante (o devir). O fluxo incessante da vida advém da luta de forças contrárias (ordem-desordem, bem-mal, belo-feito, construção-destruição, justiça-injustiça, etc.). É pela luta das forças opostas que o mundo se modifica e evolui. Para ele, a arché era o fogo, porque tudo transforma. Seu pensamento deu origem ao termo "mobilismo", doutrina de contínua mudança das coisas. Nada é fixo e determinado, o real é dinâmico.
Parmênides: a arché é o ser, ou seja, a essência da natureza. O ser é atemporal, uniforme e indestrutível, e não existe o não-ser. Para ele, o que muda é o não-ser, o seja, o que não existe, pois mudar é não ser mais aquilo que era. Opunha-se ao mobilismo, porque a mudança que observamos nas coisas são apenas aparências (erro de nossa percepção), porque a essência das coisas é imutável e imóvel. Dessa forma, tudo possui uma essência (imutável) e uma aparência (mutável). A essência é conhecida através da verdade (aletheia) e a aparência é conhecida pela opinião (doxia).O que existe pode ser pensado e falado, o que não existe não pode.
[ChatGPT: Parmênides também é famoso por sua defesa da imutabilidade do ser, ou seja, que o ser é "uno" e imutável. As mudanças observadas são ilusões sensoriais.]
Empédocles: considerava que tudo era composto pelos quatro elementos primordiais: fogo, terra, água e ar. Esses princípios são unidos pela amizade e separados pela discórdia. Esses 4 elementos primordiais eram, portanto, a arché para ele.
Anaxágoras. Digia que a realidade é composta por uma infinidade de elementos, chamados de homeomerias (sementes), que se diferenciam entre si qualitativamente e possuíam propriedades irredutíveis, de cuja combinação nascem todas as coisas. A arché são essas sementes, que se misturam e se separam. No início estavam desordenadas, mas foram ordenadas por uma mente cósmica que ordena o mundo, chamada "nous".
[ChatGPT: Vale a pena reforçar que nous (mente cósmica) é responsável não só por ordenar, mas também por pôr em movimento o cosmos.]
Demócrito. Desenvolveu o atomismo, ou seja, todas as coisas são constituídas por partículas indivisíveis e minúsculas chamadas átomos,separados uns dos outros pelo vazio. Mantêm propriedades atrativas que os associam, dando origem a todas as coisas no universo, e propriedades repulsivas que os desagragram. São eternos e com a mesma natureza.
Principais escolas pré-socráticas.
Escola Jônica (Tales, Anaximandro, Anaxímenes, Heráclito). Considerada o início da filosofia na Grécia Antiga, buscando na natureza física o princípio e a causa de todos os seres do universo.
Escola Pitagórica (Pitágoras, Filolau). A natureza é constituída pela matemática. A base de toda a realidade está nas relações matemáticas, as quais governam o mundo.
Escola Eleata (Xenófanes, Parmênides, Zenão). Formulou a arché na imobilidade de todas as coisas, que evidencia a essência de tudo.
Escola Pluralista (Leucipo, Demócrito, Empédocles, Anaxágoras). Para ela, não existe apenas uma arché para o universo.
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