Anotações de video divulgado pelo professor. O vídeo trata da evolução da História da Psicologia, destacando marcos e discussões centrais. Inicialmente, menciona que alguns atribuem as origens da Psicologia aos pré-socráticos ou a Aristóteles, enquanto outros situam a primeira menção da palavra "Psicologia" em 1590, com Rudolph Goclenius, em um contexto filosófico-teológico. No entanto, a ciência psicológica ainda estava dispersa entre outras disciplinas, como as ciências humanas e do comportamento.
O primeiro livro sobre História da Psicologia foi publicado em 1808 por Friedrich August Carus, enfatizando estudos anteriores sobre a alma. A produção de obras sobre o tema aumentou na segunda metade do século XIX, paralelamente ao surgimento da psicologia experimental e da psicofísica na Alemanha. Esses livros frequentemente serviam para legitimar as posições dos autores em debates acadêmicos e definir a identidade da Psicologia.
No século XX, figuras como Eduard von Hartmann e Hermann Ebbinghaus utilizaram a História da Psicologia para sustentar suas ideias, destacando, respectivamente, o inconsciente e a ruptura da Psicologia com suas raízes filosóficas. A produção de livros sobre a história da Psicologia foi reduzida na Alemanha entre 1911 e 1963, enquanto nos EUA, a disciplina encontrou terreno fértil, com a obra de Edwin Boring, "A History of Experimental Psychology", tornando-se um marco. Boring estabeleceu Wundt como o fundador da Psicologia moderna e apresentou uma visão individualista e baseada em grandes nomes, que influenciou muitas obras subsequentes.
Na década de 1960, foram criadas importantes instituições e publicações dedicadas à História da Psicologia, como a divisão 26 da Associação Americana de Psicologia. Robert Watson se destacou nesse período com seu manual sobre grandes psicólogos, mas a produção ainda era limitada em profundidade metodológica.
A partir da década de 1970, houve um avanço no campo, com a emergência de abordagens mais críticas e inclusivas, considerando, por exemplo, questões raciais e de gênero. Embora ainda haja uma predominância de manuais, houve progressos importantes, como a criação da revista History of Psychology em 1998 e maior atenção à metodologia histórica. No Brasil, a ANPEPP também possui sessões dedicadas ao estudo da História da Psicologia.
Eis aí o video e, a seguir, anotações mais detalhadas:
Anotações
HISTÓRIA DA HISTÓRIA DA PSICOLOGIA
Anotações de video.
00:36 O video trata da história da Psicologia, que para alguns teria se originado nos pré-socráticos, outros em Aristóteles. (mas não está falando da história da História da Psicologia). Uma publicação com a palavra Psicologia só apareceu em 1590 (Rudolph Goclenius, filósofo escolástico alemão), tratando sobre a alma e o corpo sob o aspecto filosófico e teológico.
01:35 Os historiadores que questionam esse início tão antigo da Psicologia afirmam que, na verdade, ela estava espalhada por uma ampla gama de assuntos, que também poderiam ser chamadas de "ciências humanas", "ciências do comportamento". Segundo eles, essa reivindicação de ancestralidade só serve para aumentar o prestígio de algum grupo (?) pouco se falando da própria psicologia.
02:00 O primeiro livro dedicado à História da Psicologia foi publicado por Friedrich August Carus, em 1808, na mesma cidade de Leipzig, onde, 70 anos depois, foi criado o primeiro laboratório de psicologia. Tal livro fala principalmente dos estudos sobre a alma que vieram antes dele
02:32 É na segunda metade do séc XIX, na Alemanhã, que se inicia a publicação de livros sobre a História da Psicologia. Ou seja, no mesmo momento histórico em que a psicofísica e a psicologia experimental estavam começando a emergir.
02:52 Em geral, as histórias da psicologia escritas na segunda metade do séc. XIX tinham o objetivo de ajudar a sustentar as posições de seus autores nas controvérsias em que estavam envolvidos (?), bem como dar uma identidade à psicologia.
03:41 Já no século XX, Eduard von Hartmann construiu uma História da Psicologia para afirmar sua posição de que o objeto de estudo da psicologia é o inconsciente. Já Hermann Ebbinghaus, em 1908, faz comentários à História da Psicologia para colocá-la como uma ciência eu rompeu radicalmente com o seu passado filosófico, para abraçar sua vertente experimental, tornando-se uma nova ciência. Há vários outros exemplos desse uso da História da Psicologia como afirmação disciplinar e posicionamentos em disputas acadêmicas. A produção de livros sobre História da Psicologia na Alemanha diminui bastante de 1911 a 1963.
04:40 A palavra psicologia aparece pela 1a vez na lingua inglesa em 1855, no livro Princípios de Psicologia, de Herbert Spencer, publicado na Inglaterra, país onde a disciplina se desenvolveu lentamente. Foi nos EUA que a Psicologia encontrou terreno fértil e, já na I Guerra Mundial, o país já era dominante na área.
05:22 A partir de 1910 a História da Psicologia começa a aparecer nos EUA. Santley Hall publicou o livro "Fundadores da Psicologia Moderna" em 1912. A obra mais importante foi "Uma história da psicologia experimental" de Edwin Boring (em 1960, esse livro era usado em 75% dos cursos nos EUA). Foi Boring que estabeleceu que a Psicologia moderna surgiu com Wilhelm Wundt em 1879; foi nesse livro que se afirmou Titchener como herdeiro de Wundt; foi também Boring que implementou a noção de zeitgest para explicar a origem da Psicologia e a importância do contexto, mas sempre destacando os grandes nomes (estratégia individualista de se apresentar a História da Psicologia ainda hoje). Pode-se dizer que o livro de Boring se tornou um modelo para muitos livros sobre História da Psicologia.
08:04 O ano de 1965 marca a criação de várias instituições importantes para o campo da História da Psicologia. É nesse momento que é criada a divisão 26 da Associação Americana de Psicologia, dedicada à história da Psicologia. Também são criados os Arquivos para a História da Psicologia Americana, em Ohio e a revista de História das Ciências Comportamentais. Em 1969 foi criada a Sociedade Cheiron, dedicada para História das Ciências Sociais e Comportamentais.
09:13 De todos os nomes importantes dessa época, destacou-se Robert Watson, que se considerava o sucessor de Boring e adotou, como havia feito este, a abordagem dos grandes nomes em seu manual "The great psychologists: Aristotle to Freud". Sua História adotava o prescritivismo a-histórico, utilizando dicotomias (mente/corpo, livre arbítrio/determinismo; racionalismo/empirismo) para jugar as diferentes eras, uma forma de abordar a História da Psicologia comum até hoje. A qualidade das produções nessa época ainda era baixa, porque eram apenas manuais e com pouca profundidade de pesquisa (os autores não tinham formação em história).
10:22 A partir de 1970, começou a surgir uma história mais crítica, e também histórias de grupos pouco representados (como trabalhos envolvendo questões raciais ou de sexo). Também se começou a ter maior cuidado com o método de investigação em história.
11:10 A História da Psicologia ainda é, em grande parte, uma história de manuais, escrita a partir de outros manuais, reproduzindo erros e a mesma estrutura do manual de Boring. Um avanço importante foi a criação da revista History of Psychology, em 1998, mantida pela Associação Americana de Psicologia. No Brasil, a ANPEPP (Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Psicologia) possui duas sessões sobre História da Psicologia.

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