Anomalias cromossômicas também são chamadas de mutações cromossômicas.
Não vamos abordar um número grande de alterações, mas aquelas que permitem conhecer o cenário.
O padrão esperado é que, nas células germinativais (haplóides - n) encontremos 23 pares de cromossosmos e, nas somáticas (diplóides- 2n), 46.
Na meiose, produz-se células germinativas propositalmente com a metade de DNA. Nesse processo, pode haver erro. E o erro, nesse processo, pode, por exemplo, dar origem a sptz com quantidade cromossômica maior ou menor. A principal causa de alterações cromossômicas é a não-disjunção, ou seja, o processo em que há distribuição de cromossomos em número não esperado a partir da meiose. Ocorre com maior frequência nas fêmeas (cerca de 10% dos ovócitos formados) e a taxa aumenta com a idade materna a partir de 30 anos (porque os ovócitos envelhecem com a mulher).
As anomalias cromossômicas podem envolver os autossomos ou cromossomos sexuais e se classificam em numéricas ou estruturais. As anomalias numéricas são caracterizadas por alterações no número de cromossomos, podendo haver mais ou menos do que o padrão 2n = 46. Já as anomalias estruturais envolvem rearranjos na estrutura dos cromossomos.
Essas anomalias podem acontecer tanto com cromossomos autossômicos quanto com cromossomos sexuais. A aneuploidia, que é a alteração no número de cromossomos, ocorre frequentemente nos cromossomos sexuais e é considerada o distúrbio genético mais comum, afetando cerca de 1 a cada 400 nascimentos (nem sempre com fenótipo identificável). Os sinais clínicos mais frequentes incluem atraso no início da puberdade, amenorreia, infertilidade e, mais raramente, genitália ambígua (vê-se, portanto, que as alterações nos cromossomos sexuais estão ligados a anomalias de caráter sexual).
A Síndrome de Klinefelter (47, XXY) é uma condição cromossômica caracterizada por um cariótipo com 47 cromossomos, sendo um cromossomo sexual extra (XXY). O cariótipo, que representa o conjunto de cromossomos de um indivíduo, revela que esses pacientes possuem dois cromossomos X e um Y (XXY), ao invés do padrão masculino normal de XY. A presença do Y sempre redundará, nessa ou em qualquer outra anomalia, em fenótipo masculino. Essa anomalia ocorre devido à não-disjunção, que pode acontecer tanto em gametas paternos quanto maternos. A incidência estimada dessa síndrome é de 1 a cada 600 nascimentos.
Nessa síndrome, o fenótipo típico dos pacientes inclui homens altos e magros, com hipogonadismo, ou seja, pouca ou nenhuma produção de testosterona, o que resulta na ausência ou subdesenvolvimento das características sexuais secundárias masculinas, como pelos faciais e corporais. Esses indivíduos são geralmente inférteis, pois não produzem espermatozoides. Além disso, podem apresentar ginecomastia discreta (aumento leve nas mamas) e um quadril mais arredondado, características típicas do fenótipo desta síndrome.
A Síndrome de Jacobs (47, XYY) é causada por um erro de não-disjunção na meiose paterna, resultando em um cariótipo com um cromossomo Y extra. A incidência é estimada em aproximadamente 1 a cada 1.000 nascimentos. O fenótipo é geralmente normal, com homens podendo apresentar caracteres sexuais secundários mais marcantes (como estatura acima da média - acima de 1,80m - ou maior desenvolvimento de músculos). Além disso, podem ser observados alguns desafios no desenvolvimento, como atraso na linguagem, dificuldades de escrita, hiperatividade, déficit de atenção e impulsividade, embora esses sintomas variem de caso a caso.
Volta e meia, aparecem artigos científicos que procuram estabelecer relação entre dupla dose de cromossomo Y com dupla dose de testosterona (com eventual potencial de agressividade). Desde o século passado isso é estudado, sem que se tenha conseguido estabelecer essa associação.
A Síndrome de Turner (45, X0) é caracterizada por um cariótipo com apenas um cromossomo sexual X, devido a erros de não-disjunção durante a meiose. Esta síndrome é a única condição viável de monossomia em humanos, ou seja, onde há a ausência de um cromossomo sexual completo (necessariamente o cromossomo ausente é o Y). Fenotipicamente, ocorre a formação de genitália externa e ductos internos, mas com disgenesia gonadal (gônadas malformadas). Além disso, os indivíduos apresentam baixa estatura, pescoço alado (pterígio colli, que se refere ao excesso de pele em ambos os lados do pescoço), resultando em uma aparência alargada ou espessa, e há maior incidência de anormalidades cardiovasculares e renais. No entanto, a capacidade intelectual desses pacientes é geralmente normal, sem comprometimentos significativos.
A Trissomia do X ou Triplo X (47, XXX) é uma condição causada por erros de não-disjunção na meiose, resultando em um cariótipo com três cromossomos X. A incidência dessa condição é de aproximadamente 1 a cada 1.000 nascimentos. O fenótipo geralmente é normal, com a maioria das mulheres apresentando desenvolvimento normal. No entanto, pode ocorrer hipodesenvolvimento de características sexuais secundárias e esterilidade em alguns casos.




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