A citogenética é a área da genética que estuda os cromossomos, aplicando-se especialmente à prática da genética médica. Esse campo investiga a estrutura, função e comportamento dos cromossomos. As anomalias cromossômicas referem-se a alterações que podem ser visualizadas ao microscópio e que afetam o número ou a estrutura dos cromossomos. Exemplos comuns incluem a síndrome de Down, que resulta de uma trissomia no cromossomo 21, e a síndrome de Turner, que envolve a ausência de um cromossomo sexual (monossomia X). Já os distúrbios cromossômicos são condições clínicas que surgem devido a essas anomalias cromossômicas. Eles podem se manifestar de diversas formas, dependendo de quais cromossomos ou genes foram afetados. Essas condições geralmente resultam em uma série de sintomas clínicos, incluindo atrasos no desenvolvimento, características físicas distintas e outras complicações de saúde. Esses distúrbios podem ser diagnosticados através de exames como o cariótipo, que permite visualizar as anomalias cromossômicas.
Alterações Estruturais
Há uma grande variedade de alterações estruturais. Veremos aqui algumas das mais simples. No exemplo da imagem acima, temos a deleção do cromossomo 5 em um dos pares, que está ligada à Síndrome Cri Du Chat. A síndrome Cri Du Chat é uma condição genética rara que provoca alterações fenotípicas marcantes. O nome da síndrome se deve ao choro semelhante ao miado de gato que muitos bebês afetados apresentam. Outros sintomas incluem baixo peso e rosto redondo ao nascimento, presença de pregas epicânticas (dobras de pele nos cantos internos dos olhos), hipotonia (fraqueza muscular), orelhas com implantação baixa, e retardo mental, caracterizando um quadro clínico específico dessa síndrome.
A deleção gênica pode ocorrer devido à exposição a diferentes fatores externos. Entre os principais mecanismos estão a exposição a agentes químicos, que se associam ao DNA, alterando sua estrutura, e a exposição a agentes físicos, como a radiação, que pode causar danos diretos ao material genético, resultando na perda de segmentos de DNA. Esses fatores aumentam o risco de alterações genéticas, que podem levar a diversas doenças.
Outra alteração estrutural pode ocorrer com a duplicação, que é o ganho de um ou mais segmentos gênicos do cromossomo.
[A figura acima ilustra dois tipos de eventos cromossômicos que podem ocorrer durante o crossing-over (ou permutação), que é o processo de troca de segmentos de DNA entre cromossomos homólogos durante a meiose, um tipo de divisão celular que resulta na formação de gametas (óvulos e espermatozoides).
No lado esquerdo da figura, o crossing com pareamento errado mostra como um erro no alinhamento dos cromossomos homólogos pode levar a uma troca desigual de material genético. Isso resulta em duplicação de um segmento em um dos cromossomos e deleção (ou eliminação) do mesmo segmento no outro.
O lado direito da figura destaca o resultado desse pareamento incorreto:
- Duplicação: um segmento do cromossomo (identificado pela letra "C") é duplicado em um dos cromossomos. Isso significa que o organismo terá duas cópias do mesmo gene ou sequência genética, o que pode ter consequências dependendo da função dos genes duplicados.
- Deleção ou eliminação: o mesmo segmento que foi duplicado em um cromossomo é eliminado ou deletado no outro. Isso significa que um dos cromossomos perde um pedaço do material genético, o que pode resultar em doenças genéticas, como a síndrome de Cri Du Chat.
Esses erros de recombinação cromossômica são eventos raros, mas podem ter grandes consequências no desenvolvimento de um organismo e podem causar síndromes genéticas e outras condições associadas a alterações cromossômicas.]
A translocação é outra alteração estrutural de cromossomo autossomo. Ocorre quando há a troca de segmento gênico entre dois cromossomos que não são pares (cromossomos não homólogos).Uma translocação comum é aquela entre o cromossomo 9 e o cromossomo 22, associada ao surgimento da leucemia. Essa translocação específica dá origem a um cromossomo novo, chamado "cromossomo Philadelphia".
Há muitas outras alterações cromossômicas ligadas à leucemia, como visto no mapeamento acima.
Alterações Numéricas
As alterações numéricas se classificam em euploidias e aneuploidias.
As euploidias referem-se à presença de um número exato de conjuntos haploides (n) de cromossomos em uma célula. Um exemplo disso é a triploidia (3n), quando há três conjuntos completos de cromossomos. As euploidias não são compatíveis com a vida.
Por outro lado, as aneuploidias ocorrem quando o número de cromossomos não é um múltiplo exato de n, resultando em um desequilíbrio cromossômico.
Dentro das aneuploidias, temos:
- Monossomia (2n-1): quando falta um dos cromossomos de um par, ou seja, o indivíduo possui apenas um cromossomo desse par em vez de dois. A única monossomia compatível com a vida é a da Síndrome de Turner, que ocorre em cromossomos sexuais.
- Polissomia: inclui condições como a trissomia (2n+1), em que há um cromossomo extra, ou situações como a presença de mais de um cromossomo adicional, como (2n+2). Exemplos de trissomia em autossomos: Síndrome de Down (cromossomo 21), de Edwards (cromossomo 18) e de Patau (cromossomo 13). Em cromossomos sexuais: Síndrome de Klinefelter (X), duplo Y e duplo X.
Essas alterações no número de cromossomos podem levar a várias síndromes genéticas, como a síndrome de Down (trissomia 21).
Na imagem acima, vemos dois gráficos. O primeiro, a relação dos cromossomos em termos de tamanho. A segunda, em termos de quantidade de genes. Repare que só existem polissomias naqueles que possuam as menores quantidades de genes, porque essas possuem menor impacto na produção de proteínas.
A Síndrome de Down (SD), também chamada de trissomia do 21, é o distúrbio cromossômico mais comum e conhecido. Ela ocorre quando uma pessoa possui três cópias do cromossomo 21, em vez das duas habituais. Essa condição resulta em características físicas específicas e pode estar associada a deficiências cognitivas.
As alterações fenotípicas na trissomia do 21 (síndrome de Down) incluem uma alta incidência de cardiopatias (30-40%) e um risco significativamente maior de leucemia (de 10 a 20 vezes mais frequente do que na população normal). Além disso, há um comprometimento do desenvolvimento intelectual e uma predisposição ao Alzheimer precoce. Há também alterações morfológicas do trato gastrointestinal e maior incidência de infecções respiratórias. Curiosamente, indivíduos com trissomia do 21 apresentam uma redução na incidência de tumores sólidos, hipertensão e aterosclerose, em comparação com a população geral, embora as razões para isso ainda sejam objeto de estudo.









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