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DDS: Desordem do Desenvolvimento Sexual



O desenvolvimento sexual normal depende de uma sequência espaço-temporal precisa e da coordenação de fatores ativadores e repressores que se antagonizam mutuamente. Esses fatores regulam o comprometimento da gônada unipotencial em vias binárias que governam o desenvolvimento sexual normal. Tipicamente, a presença do gene SRY no cromossomo Y desencadeia a cascata de eventos moleculares que levam ao desenvolvimento sexual masculino. Os distúrbios do desenvolvimento sexual (DDS) compreendem um grupo heterogêneo de condições congênitas associadas ao desenvolvimento atípico das genitálias interna e externa. Esses distúrbios são geralmente atribuídos a desvios no progresso típico do desenvolvimento sexual. Os DDS podem ser classificados em várias categorias, incluindo anomalias cromossômicas, gonadais e anatômicas. Ferramentas genéticas, como análises de microarranjos e técnicas de sequenciamento de nova geração, identificaram variantes genéticas inéditas entre pacientes com DDS. Mais importante, o manejo dos pacientes deve ser individualizado, especialmente para decisões relacionadas ao sexo de criação, intervenções cirúrgicas, tratamento hormonal e potencial para preservação da fertilidade.

(texto retirado do  abstract desse artigo  científico).


Transcrição da aula gravada em video:

00:19 O tema da Desordem do Desenvolvimento Sexual também é conhecido como "Intersexo".


00:23 A desordem do desenvolvimento do sexo é uma condição de desenvolvimento incompleto ou desordenado das genitárias em relação às gônodas sexuais. Acarreta na discordância entre o sexo estabelecido pelo genótipo, o sexo gonadal e o fenótipo.




01:51 A  desordem surge quando há comprometimento dos próprios cromossomos sexuais, ou quando há alteração da esperada interação entre os genes ou da esperada funcionalidade dos genes



03:20 Essa incoerência, então, pode decorrer de uma variação de genes, ou de comprometimento do desenvolvimento embrionário ou uma vulnerabilidade em razão do consumo de hormônio durante a gestação.

03:56 Sinais clínicos comuns: Os indivíduos afetados podem ser reconhecidos no nascimento devido à ambiguidade da genitália externa. Outros podem apresentar posteriormente virilização pós-natal, puberdade tardia/ausente ou infertilidade. A frequência estimada de ambiguidade genital é relatada como sendo de 1: 2000 - 1: 4500, dependendo dos estudos populacionais.

05:52  Portanto, a diferenciação sexual padrão é observada com a convergência de três aspectos esperados: o desenvolvimento gonadal, a diferenciação do sistema reprodutor (genitália interna) e a diferenciação da genitália externa.

06:37 Desenvolvimento normal: Genitália externa masculina: 2 testículos tópicos, pênis com 3 a 4 cm, bolsa escrotal bem desenvolvida, meato uretral na extremidade do pênis. Genitália externa feminina: clitóris menor que 1 cm, grandes lábios sem fusão, dois orifícios sem fusão, ausência de gônadas palpáveis.



 

08:11 Nessa imagem, vemos o esquema de um desenvolvimento embrionário. Durante as primeiras etapas do desenvolvimento embrionário, em torno da 5a semana, as estruturas ainda são indiferenciadas (ainda não está bem estabelecido, por exemplo, se a gônoda será masculina ou feminina). Essa estrutura só se diferenciar a partir do estímulo hormonal.



09:28 Entre 7 e 8 semanas de desenvolvimento embrionário, o cromossomo Y, quando presente, produz um fator masculinizante, que produzirá a diferenciação. Na imagem, destaca-se aquilo que há em comum entre as estruturas. A glande se desenvolve como pênis ou como clitóris, por exemplo.




11:22 Até a 5a semana,  indiferenciação. A partir do fator masculinizante presente no cromossomo Y começa um processo de masculinização. E o testículo que se forma começa a produzir hormônios que intensificarão esse processo de diferenciação. Isso precisa acontecer "na hora certa" para que haja uma diferenciação sexual normal. Não havendo a presença do cromossomo Y, o desenvolvimento segue como feminino.





12:04 Na imagem acima, temos o cromossomo Y. Nele, o gene responsável pela diferenciação é o SRY, que produz um fator de desenvolvimento testicular. Assim, o esperado é que, na 5a semana de desenvolvimento embrionário, esse gene SRY ligue para produzir esse fato de desenvolvimento testicular, e esse fator vai fazer com que aquela gônoda indiferenciada se transforme em um testículo (que passa a produzir testosterona para o desenvolvimento de um menino). Se o gene não ligar ou se for alterada a produção do fator de diferenciação, teremos uma DDS (Desordem do Desenvolvimento Sexual).



14:36 Como classificação mais antiga, tínhamos: pseudohermafroditismo masculino, pseudohermafroditismo feminino ou hermafroditismo verdadeiro. Mas em uma classificação mais recente, temos outra nomenclatura, como visto na imagem acima.



25:23 O hermafroditismo verdadeiro, ou DDS ovotesticular (46 XX ou 46 XY), é uma condição rara onde o indivíduo possui tanto tecido testicular quanto tecido ovariano em suas gônadas, formando estruturas conhecidas como ovotestes e produzindo tanto hormônio feminino quanto masculino. O fenótipo dos indivíduos pode variar bastante, apresentando características genitais que podem ser masculinas, femininas ou uma mistura de ambas. A gônada pode conter áreas com células de ambos os tipos, o que só pode ser confirmado por meio de um diagnóstico histopatológico, através de exames microscópicos. Embora o cariótipo mais comum seja 46 XX, também existem casos com o cariótipo 46 XY ou mosaicismos. Além disso, a variabilidade fenotípica se manifesta em diferentes graus de desenvolvimento genital e características sexuais secundárias. O tratamento é altamente individualizado e depende das características clínicas e do desejo do paciente em relação à identidade de gênero.

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