O desenvolvimento sexual normal depende de uma sequência espaço-temporal precisa e da coordenação de fatores ativadores e repressores que se antagonizam mutuamente. Esses fatores regulam o comprometimento da gônada unipotencial em vias binárias que governam o desenvolvimento sexual normal. Tipicamente, a presença do gene SRY no cromossomo Y desencadeia a cascata de eventos moleculares que levam ao desenvolvimento sexual masculino. Os distúrbios do desenvolvimento sexual (DDS) compreendem um grupo heterogêneo de condições congênitas associadas ao desenvolvimento atípico das genitálias interna e externa. Esses distúrbios são geralmente atribuídos a desvios no progresso típico do desenvolvimento sexual. Os DDS podem ser classificados em várias categorias, incluindo anomalias cromossômicas, gonadais e anatômicas. Ferramentas genéticas, como análises de microarranjos e técnicas de sequenciamento de nova geração, identificaram variantes genéticas inéditas entre pacientes com DDS. Mais importante, o manejo dos pacientes deve ser individualizado, especialmente para decisões relacionadas ao sexo de criação, intervenções cirúrgicas, tratamento hormonal e potencial para preservação da fertilidade.
(texto retirado do abstract desse artigo científico).
Transcrição da aula gravada em video:
O tema da Desordem do Desenvolvimento Sexual também é conhecido como "Intersexo".
A desordem do desenvolvimento do sexo é uma condição de desenvolvimento incompleto ou desordenado das genitárias em relação às gônodas sexuais. Acarreta na discordância entre o sexo estabelecido pelo genótipo, o sexo gonadal e o fenótipo.
A desordem surge quando há comprometimento dos próprios cromossomos sexuais, ou quando há alteração da esperada interação entre os genes ou da esperada funcionalidade dos genes
Essa incoerência, então, pode decorrer de uma variação de genes, ou de comprometimento do desenvolvimento embrionário ou uma vulnerabilidade em razão do consumo de hormônio durante a gestação.
Sinais clínicos comuns: Os indivíduos afetados podem ser reconhecidos no nascimento devido à ambiguidade da genitália externa. Outros podem apresentar posteriormente virilização pós-natal, puberdade tardia/ausente ou infertilidade. A frequência estimada de ambiguidade genital é relatada como sendo de 1: 2000 - 1: 4500, dependendo dos estudos populacionais.
Portanto, a diferenciação sexual padrão é observada com a convergência de três aspectos esperados: o desenvolvimento gonadal, a diferenciação do sistema reprodutor (genitália interna) e a diferenciação da genitália externa.
Desenvolvimento normal: Genitália externa masculina: 2 testículos tópicos, pênis com 3 a 4 cm, bolsa escrotal bem desenvolvida, meato uretral na extremidade do pênis. Genitália externa feminina: clitóris menor que 1 cm, grandes lábios sem fusão, dois orifícios sem fusão, ausência de gônadas palpáveis.
Nessa imagem, vemos o esquema de um desenvolvimento embrionário. Durante as primeiras etapas do desenvolvimento embrionário, em torno da 5a semana, as estruturas ainda são indiferenciadas (ainda não está bem estabelecido, por exemplo, se a gônoda será masculina ou feminina). Essa estrutura só se diferenciar a partir do estímulo hormonal.
Entre 7 e 8 semanas de desenvolvimento embrionário, o cromossomo Y, quando presente, produz um fator masculinizante, que produzirá a diferenciação. Na imagem, destaca-se aquilo que há em comum entre as estruturas. A glande se desenvolve como pênis ou como clitóris, por exemplo.
Na imagem acima, temos o cromossomo Y. Nele, o gene responsável pela diferenciação é o SRY, que produz um fator de desenvolvimento testicular. Assim, o esperado é que, na 5a semana de desenvolvimento embrionário, esse gene SRY ligue para produzir esse fato de desenvolvimento testicular, e esse fator vai fazer com que aquela gônoda indiferenciada se transforme em um testículo (que passa a produzir testosterona para o desenvolvimento de um menino). Se o gene não ligar ou se for alterada a produção do fator de diferenciação, teremos uma DDS (Desordem do Desenvolvimento Sexual).
Como classificação mais antiga, tínhamos: pseudohermafroditismo masculino, pseudohermafroditismo feminino ou hermafroditismo verdadeiro. Mas em uma classificação mais recente, temos outra nomenclatura, como visto na imagem acima.
O hermafroditismo verdadeiro, ou DDS ovotesticular (46 XX ou 46 XY), é uma condição rara onde o indivíduo possui tanto tecido testicular quanto tecido ovariano em suas gônadas, formando estruturas conhecidas como ovotestes e produzindo tanto hormônio feminino quanto masculino. O fenótipo dos indivíduos pode variar bastante, apresentando características genitais que podem ser masculinas, femininas ou uma mistura de ambas. A gônada pode conter áreas com células de ambos os tipos, o que só pode ser confirmado por meio de um diagnóstico histopatológico, através de exames microscópicos. Embora o cariótipo mais comum seja 46 XX, também existem casos com o cariótipo 46 XY ou mosaicismos. Além disso, a variabilidade fenotípica se manifesta em diferentes graus de desenvolvimento genital e características sexuais secundárias. O tratamento é altamente individualizado e depende das características clínicas e do desejo do paciente em relação à identidade de gênero.










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